{"provider_url": "https://www.natercia.mg.leg.br", "title": "Descobrimento e Denomina\u00e7\u00f5es", "html": "<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \"><strong>DESCOBRIMENTO</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \"><span>\u201cH\u00e1 mais de dois s\u00e9culos passados, quando os bandeirantes na sua heroica miss\u00e3o de desbravantes dos Sert\u00f5es, passaram pela nossa regi\u00e3o Sudeste, em busca de ouro e esmeralda, deixaram vest\u00edgios que perduram at\u00e9 nossos dias\".\u00a0</span></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Era no tempo da Capta\u00e7\u00e3o (coleta) e da Capita\u00e7\u00e3o (impostos) do ouro. Faiscadores corriam todos os cantos das Minas Gerais. Sonhavam com tesouros fabulosos, postos \u00e0 flor da terra.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \"><span>\u00a0</span><strong>DENOMINA\u00c7\u00d5ES</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: center; \">\u00a0<strong>Descoberto da Pedra Branca</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Descoberto era o t\u00edtulo que se dava \u00e0s minas de ouro quando recentemente encontradas. O da Pedra Branca \u00e9 conhecido desde 1741. Nesse ano, 33 mineradores que faiscavam em Campanha, percebendo que estavam declinando as minas e devendo atender ao lan\u00e7amento dos quintos previstos, fizeram chegar ao ouvidor de S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei uma peti\u00e7\u00e3o para que se providenciassem logo os recursos necess\u00e1rios para partilha do Descoberto da Pedra Branca.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Assim se expressaram: \u201cDizem os moradores da Campanha do Rio Verde, abaixo assinados... para a parti\u00e7\u00e3o do novo Descoberto da Pedra Branca...\u201d O aludido documento \u00e9 assinado em primeiro lugar por Francisco Ramos da Silva. \u00c9 que todos desejavam tentar sorte melhor.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Respondeu aos requerentes o ouvidor, excusando-se entretanto das provid\u00eancias em apre\u00e7o. Alegou as muitas ocupa\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e sugeriu-lhes requeressem diretamente ao Governador Geral das Minas.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Insistem novamente os signat\u00e1rios do requerimento e justificam a pretens\u00e3o \u201cdemorando-se-lhes a reparti\u00e7\u00e3o do Descoberto da Pedra Branca por causa do Caminho e sendo obrigados a abri-lo para efeito de se conseguir a mesma reparti\u00e7\u00e3o... podem nomear-lhes pessoa que fa\u00e7a a tal reparti\u00e7\u00e3o\u201d.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">O caminho que unia Campanha ao novo Descoberto j\u00e1 se achava feito com perfei\u00e7\u00e3o not\u00e1vel, auxiliados que foram pelos escravos. S\u00f3 lhes faltava a autoriza\u00e7\u00e3o explorat\u00f3ria.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">O governador, no dia 12 de setembro de 1742, assim despachava: \u201co guarda-mor que venha ao Descoberto da Pedra Branca e fa\u00e7a a reparti\u00e7\u00e3o das terras com maior brevidade poss\u00edvel e espero nele se haja com aquele zelo e acerto com que se costuma servir a sua majestade\".</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Estava nomeado o guarda-mor, desde 29 de junho de 1741, sem entretanto exercer o cargo, Francisco Xavier Corr\u00eaa de Mesquita, que se deixou ficar em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, em sua fazenda de minera\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Apesar da desculpa apresentada, o pr\u00f3prio ouvidor teve que fazer pessoalmente a parti\u00e7\u00e3o, no que foi acompanhado por Bento Pereira de S\u00e1, na qualidade de escriv\u00e3o das datas e provido a 5 de novembro de 1742.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Bento Pereira de S\u00e1 \u00e9 o primeiro guarda-mor da Pedra Branca e do Sapuca\u00ed. Foi guarda-mor at\u00e9 1760 e exerceu, com muita dedica\u00e7\u00e3o e probidade, esse cargo, sempre manifestando sua presen\u00e7a a atua\u00e7\u00e3o firme em todas as minas de seu vasto territ\u00f3rio. Pelos seus muitos m\u00e9ritos de pacificador dos povos em quest\u00e3o melindrosa de governo, foi nomeado \u201ccapit\u00e3o-mor\u201d e regente de ambas as partes do Rio Sapuca\u00ed.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: center; \"><strong>Ribeir\u00e3o de Santa Catarina da Pedra Branca</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Em 1743, o governador de S\u00e3o Paulo, D. Luiz de Mascarenhas, tendo conhecimento que nas Minas do Rio Verde havia grande quantidade de ouro, julgou-se dono do novo descoberto e mandou para ele na qualidade de guarda-mor, Bartolomeu Corr\u00eaa Bueno, filho do Capit\u00e3o Francisco Corr\u00eaa de Lemos e Joana Batista Bueno.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Teve, por\u00e9m, pouca dura\u00e7\u00e3o sua superintend\u00eancia, porquanto nesse mesmo ano, o ouvidor de S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei foi informado do que se passava por Jos\u00e9 Rodrigues da Fonseca, um dos signat\u00e1rios de 1743.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">O guarda-mor paulista viera com ordens para tomar posse da Pedra Branca e S\u00e3o Gon\u00e7alo. Mas o ouvidor Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Calado, juntamente com os oficiais da C\u00e2mara, vieram ter a Campanha e expulsaram o intruso guarda-mor.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Ent\u00e3o foi feita oficialmente a retifica\u00e7\u00e3o de limites a 25 de fevereiro do mesmo ano, baseados nas antigas divisas da Mantiqueira, que datavam de 02 de dezembro de 1720. Posteriormente, outras ordens r\u00e9gias ora confirmavam os antigos limites, ora os alteravam.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">E de tudo notificaram o Governador Gomes Freire, a 06 de agosto de 1743. No auto de retifica\u00e7\u00e3o de posse de Santa Catarina, feito a 28 de fevereiro de 1743, consta: \u201cNeste Arraial do Ribeir\u00e3o de Santa Catarina... da Pedra Branca... estamos de posse deste arraial e seus distritos (aqui a sol\u00e9rcia) desde o tempo do primeiro descobridor... por raz\u00e3o de serem estas paragens perten\u00e7as de suas posses antigas do Arraial de Santo Ant\u00f4nio da Campanha, por esta se estender, como fica dito, at\u00e9 o alto da Serra da Mantiqueira\".</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Assinaram o auto feito pelo escriv\u00e3o Jos\u00e9 Joaquim da Silveira, al\u00e9m dele, 23 pessoas e foi dirimida a quest\u00e3o dos limites, por algum tempo.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">O n\u00facleo do Descoberto da Pedra Branca formou a Paragem e Capela de Santa Catarina.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: center; \">\u00a0<strong>Santa Quit\u00e9ria</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Na \u00e9poca em que foi criada a Par\u00f3quia que seria de Santa Catarina, n\u00e3o se sabe se por engano ou por muita devo\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, recebeu o t\u00edtulo de Santa Quit\u00e9ria. O lugar continuou a registrar os diversos termos eclesi\u00e1sticos, sem jamais tomar conhecimento do trocadilho, a n\u00e3o ser para titular-se e independer-se. Verificado o engano, tudo se acalmou e Santa Catarina teve legitimamente seu t\u00edtulo de Par\u00f3quia.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: center; \">\u00a0<strong>Santa Catarina</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Salvo demonstra\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, sup\u00f5e-se que o nome Santa Catarina, posto no Arraial da Pedra Branca, tenha sido dado por Manoel Lopes Viana ou sua esposa.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Era ele natural de Viana e foi casado com Ant\u00f4nia Teixeira, natural de Valen\u00e7a, filha de Francisco Teixeira da Silva, um dos assinantes do requerimento de parti\u00e7\u00e3o do Descoberto da Pedra Branca e de Jer\u00f4nima Corr\u00eaa. Moravam no s\u00edtio denominado Engenho em Santa Catarina e eram senhores de muitos escravos.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">A povoa\u00e7\u00e3o prosperava , sujeita, como tudo que \u00e9 terreno, \u00e0 lei de lucros e perdas. Mas foi com o advento do t\u00edtulo de Ermida em 1770 elevada pelo Exmo. Vig\u00e1rio Capitular C\u00f4nego Vicente Gon\u00e7alves Jorge de Almeida, podendo assim gozar de certas prerrogativas que a povoa\u00e7\u00e3o de Santa Catarina se tornou mais conhecida.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: center; \"><strong>Nat\u00e9rcia</strong></p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">Em 1953 a C\u00e2mara Municipal, pela maioria de seus membros, houve por bem trocar o nome para Nat\u00e9rcia que \u00e9 um anagrama de Caterina, baseando-se nos versos de Cam\u00f5es, o grande g\u00eanio, o pai da L\u00edngua Portuguesa.</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">O nome foi trocado para Nat\u00e9rcia, em virtude do extravio de Correspond\u00eancia para o Estado de Santa Catarina, o que trazia grande transtorno \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local.\u00a0</p>\r\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify; \">\u00a0</p>\r\n<div class=\"visualClear\" style=\"text-align: right; \"><strong>Fonte:</strong> Paulina Orsi Junho</div>\r\n<div class=\"visualClear\" style=\"text-align: right; \">Escola Municipal Coronel Goulart</div>\r\n<div class=\"visualClear\" style=\"text-align: right; \">2000/2001</div>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.natercia.mg.leg.br/author/nat", "provider_name": " C\u00e2mara Municipal de Nat\u00e9rcia - MG", "type": "rich"}